Plataforma criada por estudantes converte textos em português para o Sistema Braille e gera arquivos digitais para impressão em 3D, ampliando o acesso à informação
Talvez poucas barreiras provoquem maior isolamento social do que a restrição ao acesso à informação. Com o objetivo de reduzir esse obstáculo e promover a inclusão de pessoas com deficiência visual, alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) de Ilha Solteira desenvolveram um programa que converte textos em português para o Sistema Braille e transforma a tradução em um arquivo digital compatível com impressoras 3D.
Financeiramente acessível e de fácil aplicação, a solução tecnológica foi criada pelos estudantes Leonardo Borges da Silva, Pedro Santos de Abreu e Rafael Guedes de Oliveira, formandos do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas. O grupo recebeu orientação pedagógica dos professores Alessandro Cruz de Lima e Gabriel de Souza Gerolim.
“Sabemos que o acesso à leitura é um direito fundamental para que o cidadão possa estudar, trabalhar e participar ativamente da sociedade. Também temos consciência de como a produção tradicional de materiais em Braille pode ser onerosa e demorada”, explica Pedro, um dos coautores do projeto.
De acordo com os pesquisadores, a iniciativa surgiu a partir da constatação de que pessoas cegas ou com baixa visão ainda enfrentam limitações significativas no acesso a livros, documentos e até a itens simples do cotidiano, como etiquetas de identificação de objetos.
“Com a impressão em 3D, vamos além das placas com textos impressos no Sistema Braille e passamos a pensar em objetos e materiais com marcações táteis, tornando o mundo físico mais interativo e acessível”, afirma Leonardo.
Além de promover acessibilidade a usuários finais, a plataforma também é indicada para aplicações educacionais. Professores podem, por exemplo, imprimir mapas táteis, figuras geométricas tridimensionais ou outros materiais pedagógicos adaptados para uso em sala de aula.
Desafios
O desenvolvimento da solução envolveu uma série de desafios técnicos. Entre eles, a criação de modelos tridimensionais flexíveis e amigáveis, além de fazer com que a ferramenta digital garantisse autonomia ao usuário e permitisse personalizações, como ajustes de tamanho e espaçamento entre caracteres.
“Um dos principais obstáculos foi assegurar a precisão na conversão do texto para o Sistema Braille. Não se trata apenas de traduzir, mas de seguir padrões rigorosos para que cada caractere seja lido corretamente e com conforto”, explica Rafael, também coautor do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Para isso, o grupo se aprofundou no estudo das normas técnicas do Braille, o que possibilitou a criação de uma lógica de programação capaz de garantir precisão e qualidade nas impressões.
Impacto social
A plataforma digital desenvolvida pelos estudantes tem potencial para ampliar a autonomia e a independência de pessoas com deficiência visual, ao facilitar o acesso à educação, à informação e, consequentemente, ao mercado de trabalho.
“Nosso projeto não se limita à criação de placas. Ele abre caminhos para uma sociedade mais justa e equitativa, em que todos tenham oportunidades reais de aprender, trabalhar e viver com dignidade”, destacam os estudantes.
O projeto científico, intitulado Placas Braille em Impressora 3D, foi apresentado durante a 16ª Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps), principal evento de inovação, criatividade e empreendedorismo estudantil das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) do Estado de São Paulo.
A iniciativa dos pesquisadores de Ilha Solteira está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 10, da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que trata da redução das desigualdades. Os ODSs compõem um conjunto de 17 metas globais voltadas à erradicação da pobreza, à proteção do meio ambiente e à promoção da prosperidade com equidade social.









