A Universidade Estadual Paulista (Unesp) divulgou o resultado do concurso de contos “Universidade: Um Encontro Marcado”, iniciativa que integra as comemorações pelos 50 anos da instituição, celebrados em 30 de janeiro de 2026. Promovido pela Coordenadoria de Ação Cultural (CoAC) da Pró-Reitoria de Extensão Universitária e Cultura (PROEC), em parceria com a Editora Unesp e a Fundação Vunesp, o concurso reuniu narrativas que trazem à tona memórias, vivências e afetos ligados à trajetória universitária.
Os três primeiros colocados representam diferentes segmentos da comunidade acadêmica: um egresso do câmpus de Ilha Solteira, um pós-graduando de Araraquara e um docente do câmpus de Marília. Ao todo, foram selecionados 33 contos finalistas, que serão reunidos em uma publicação impressa e digital pela Editora Unesp.
Destaque para o egresso da Unesp Ilha Solteira
O primeiro lugar ficou com Rafael Guerra de Oliveira, egresso da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira (FEIS), que concluiu a licenciatura em Física em 2021. Sob o pseudônimo “Cida do Nascimento”, o autor venceu com o conto “No ventre do tempo curvo: dois corpos, uma órbita e a colisão de um mundo inflacionário”, trabalho que lhe garantiu o prêmio de R$ 10 mil.
A presença de um egresso da FEIS entre os vencedores reforça a relevância histórica e acadêmica do câmpus de Ilha Solteira na formação de profissionais e pesquisadores, além de evidenciar o vínculo duradouro entre a Unesp e seus ex-alunos. O conto vencedor dialoga com experiências vividas no ambiente universitário e demonstra como a formação acadêmica continua a reverberar na produção intelectual após a graduação.
O segundo lugar foi conquistado por Milton César da Costa, pós-graduando da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara (FCLAr), com o conto “Sinal Fechado”, assinado sob o pseudônimo “Ismália Bittencourt”, premiado com R$ 7 mil. Já o terceiro lugar ficou com Sinésio Ferraz Bueno, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) de Marília, autor de “No retiro dos docentes”, sob o pseudônimo “Paulinho Júnior”, que recebeu R$ 4 mil.
Concurso amplo e representativo
O concurso foi o mais abrangente do gênero já realizado pela Unesp. A participação foi aberta a docentes, discentes, servidores técnico-administrativos, egressos, funcionários aposentados e também a ex-integrantes dos antigos institutos isolados que deram origem à Universidade em 1976.
No total, foram 334 contos inscritos, com representantes da Reitoria e de 30 das 34 unidades universitárias. Os estudantes responderam por quase metade das inscrições (49,1%), seguidos por egressos (22,8%), servidores técnico-administrativos (16,8%) e docentes (10,2%).
Os textos, inéditos e escritos em língua portuguesa, tinham limite máximo de 21 mil caracteres, com uso obrigatório de pseudônimo para garantir isenção na avaliação.
Avaliação e qualidade literária
A comissão julgadora foi composta por três docentes da área de Letras: João Luís Cardoso Ceccantini (câmpus de Assis), Susanna Busato (câmpus de São José do Rio Preto) e Ude Baldan (câmpus de Araraquara).
Para Ude Baldan, professora aposentada da FCLAr, a experiência foi marcante. “Foi uma iniciativa muito interessante, maravilhosa. Houve relatos engraçados e, como esperávamos, muitas memórias pessoais. Afinal, são 50 anos de Unesp. Foi muito difícil escolher, porque havia muitos textos bons e depoimentos comoventes”, afirma.
A professora Susanna Busato, do Ibilce, também destacou a qualidade das narrativas. “Fiquei muito surpresa com o nível dos contos. Muitos textos apresentaram excelente escrita, coerência e adequação ao tema. A grande maioria encantou pelos depoimentos pessoais, ainda que ficcionalizados”, relata.
Análise do conto vencedor e racismo estrutural
Em análise do conto vencedor, feita a pedido do Portal da Unesp, o professor aposentado João Luís Cardoso Ceccantini, especialista em Literatura Brasileira, afirmou que o texto causou forte impacto desde a primeira leitura.
“Quando li o conto que se revelou vencedor, apostei comigo mesmo que estaria entre os finalistas. Percebi ali uma narrativa impactante, original e de ótimo nível literário”, afirma Ceccantini.
Segundo o docente, trata-se de uma narrativa poética que aborda um tema central da agenda política e cultural brasileira: o racismo estrutural. A abordagem, no entanto, vai além da denúncia, utilizando uma escrita apurada e sensível, que dialoga com conceitos e linguagem da Física sem se tornar hermética, didática ou apelativa — características comuns em parte da produção literária contemporânea.
Memória, universidade e futuro
Ao reunir relatos pessoais, ficções e reflexões críticas, o concurso “Universidade: Um Encontro Marcado” consolida-se como um importante registro simbólico dos 50 anos da Unesp. A futura publicação dos contos permitirá que essas vozes — de estudantes, egressos, docentes e servidores — componham um mosaico de experiências que ajudam a contar a história da Universidade e a projetar seus próximos encontros com a sociedade.
Fonte: Portal da Unesp – Coordenadoria de Ação Cultural da PROEC









